domingo, 8 de março de 2015

A fonoaudiologia numa visão Transdisciplinar - Odontologia e Fonoaudiologia


A fonoaudiologia numa visão Transdisciplinar
                                    Fga: Regina Donnamaria Morais

            A fonoaudiologia, uma das áreas da reabilitação e habilitação, vem demonstrando sua importância no tratamento das incapacidades como uma forma de intervenção não só terciária, mas também secundária e até mesmo primária em muitos casos. Atuando ao mesmo tempo nas áreas dos distúrbios auditivos, fala, linguagem e comunicação, tem se apoiado em muitas pesquisas e publicações da Neurologia, Psiquiatria, Psicologia  Fonoaudiológica, bem como da Odontologia, como base para a criação de técnicas de aprimoramento dos conhecimentos sobre os processos normais de desenvolvimento anatômico, neurológico, fisiológico, emocional e comportamental do homem.
O objetivo da fonoaudiologia foi e sempre será a comunicação, meio pelo qual o sujeito estabelece uma interação com o ambiente com vistas à transmissão de conteúdo, num processo que depende da existência de um interlocutor e de uma linguagem comum entre ambos.
Para a efetiva comunicação, vários elementos fazem parte deste processo de transmissão de mensagem com conteúdo, seja ele verbal ou não verbal. Entre eles, as estruturas rígidas ( ossos) e as estruturas moles ( músculos) do corpo e principalmente da região oral sem desconsiderar a integridade do sistema nervoso central.
A região oral apresenta um grande número de músculos de diferentes tamanhos, com funções motoras específicas, os quais, de forma associada e sincronizada, auxiliam uma determinada função.
As funções orais de nutrição, respiração, mímica facial e fala articulada são de competência de disciplinas a fins como a odontologia e fonoaudiologia por se tratarem de funções correlatas que envolvem as mesmas estruturas.

Vários conceitos terapêuticos direcionam as práticas fonoaudiológicas e entre eles o conceito neuroevolutivo Bobath, desenvolvido por Karl e Berta Bobath que  prioriza o aprendizado de movimento voluntário, propiciando reações de endireitamento e de equilíbrio para a ideal postura biomecânica estática e dinâmica. Para tal, preconiza se a adequada postura com alinhamento biomecânico para a função motora coordenada.

Sob esta perspectiva Bobath, a terapia fonoaudiológica se alicerça na visão do desenvolvimento motor global (postura, movimento e equilíbrio), partindo do entendimento de que as ações motoras orais se desenvolvem  do padrão global para específico e  dissociado, das atividades motoras reflexas para atividades voluntárias  nos estímulos do meio ambiente. Os aspectos ambientais englobam não só os estímulos naturais de interação entre a díade mãe e filho, como também os instrumentos utilizados para as experiência sensório motora, incluindo instrumentos utilizados para a nutrição como seio materno, mamadeiras, colheres, copos e outros como chupetas.  



Primeira fase: primeiro trimestre ( primeiro, segundo e terceiro meses)

A função de nutrição é precursora para o crescimento e desenvolvimento das estruturas orais e de pontos de articulação para a fala. As funções de aleitamento materno é a primeira função nutritiva que estimula os músculos para o estimulo de crescimento do osso mandibular que no bebê é menor em relação a maxila. Nesta fase de crescimento a língua e todos os elementos intra orais apresentam postura e movimentos específicos que facilitam a ordenha e, o alimento propício é de consistência líquida. Nesta fase também a postura e os movimentos globais não peculiares. O bebê apresenta um plano de movimento e postura fisiológica flexora. A importância de conhecer estas características do bebê recém nascido facilita a avaliação inicial sobre a eficiência desta função. Contrariamente ao aleitamento materno, o uso de mamadeiras não estimula os mesmos grupos musculares enfatizando o músculo mentoniano e bucinador, no lugar dos músculos masseter e temporal entre outros.
O processo de amamentação é a atividade muscular mais funcional que prepara o sistema estomatognático para funções mais específicas ao longo da vida de desenvolvimento. É o único período onde as articulações tempo mandibulares ( ATM) são estimuladas simultaneamente por meio dos movimentos de avanço e retrocesso da mandíbula, estimulando os ligamentos retromeniscais, aumentando o aporte sanguíneo na área e consequentemente, sinalizando as células para a multiplicação óssea.
Além dos músculos citados a ativação  do músculo quadrado do lábio superior e orbicular dos lábios, em associação com os coxins de gorduras das bochechas, asseguram mais aproximação ao redor da aréola e maior encaixe e obliteração aos espaços entre cada um dos lados da língua durante a ordenha.
Outra importante evidência neste processo de estimulação das atividades musculares e nutricionais é a respiração nasal exclusiva.

Tópicos de Avaliação Fonoaudiológica:

Nesta fase do desenvolvimento infantil, a fonoaudiologia pode detectar sinais de desvio desta função afim de que ela possa ser duradoura, adequada e promova o crescimento e desenvolvimento esperado.
A avaliação deve observar a presença de postura flexora fisiológica do bebê, predomínio de respiração nasal e um boa pega no seio materno com efetiva ordenha. Além destes itens, neste momento, a presença de frênulo curto de língua é um  item a ser avaliado por dificultar a ordenha. No entanto, existe alguns frênulos de língua que não são curtos o suficientes para impedir a função. O frênulo curto que impede o desenvolvimento da alimentação é aquele com muito pouco elasticidade e  que bifurca a língua em sua posição anterior. Neste caso, orienta se a cirurgia para facilitar a relação mãe bebê e a nutrição, além de estimular os músculos e a multiplicação das células ósseas.

Segunda fase: segundo trimestre ( quarto, quinto e sexto meses)

Com o nivelamento das estruturas ósseas ( mandíbula e maxila) ocorre um aumento vertical do espaço oral, que facilita a variação entre a respiração oral e nasal. Este espaço vertical possibilita a modificação tanto da postura como do movimento da língua, permitindo o contato de lábio superior com o inferior. Associado a este crescimento oral, na fase entre 3 e 4 meses de idade, o bebê  diminuir muito a sua postura flexora fisiológica por inicio da extensão cervical e equilíbrio de cabeça. O equilíbrio de cabeça e de cintura escapular propicia uma alteração na caixa torácica, modificando a amplitude respiratória e facilitando uma sucção mais prolongada e produções sonoras mais intensas em volume e em intensidade.
O desenvolvimento motor desta fase é caracterizada por muitos movimentos e simetria de membros superiores que facilitam o agarrar de objetos, com as mãos, e leva-los a boca. Nesta atitude interativa, o bebê diminui muito as reações de vômito no segundo terço da língua e aumenta a receptividade aos estímulos entro da boca. Em associação, a língua pode tocar a placa palatina livremente.  
Com estas facilidades motoras, o bebê pode permanecer em supino e o palato mole ser impulsionado em direção ao espaço velo faríngeo que com a presença de ar, facilita a emissão de sons guturais.

Tópicos de Avaliação Fonoaudiológica:

A observação fonoaudiológica tem por objetivo avaliar o desenvolvimento ósseo e funcional, a função velo faríngea, as emissões orais e nasais, o contato bilabial e a elevação intermitente da língua em papilas anteriores. Em relação aos sons, avaliar a presença de emissões sonoras guturais e muito mais do que a produção sonora, observar postura dos órgão fonoarticulatórios em repouso e movimento.

Terceira fase:  terceiro trimestre (sétimo, oitavo e nono meses)

Nesta fase, o novo plano de movimento (plano rotacional) permite que o bebê possa fazer mudanças posturais de prono para supino e permanecer sentar com apoio.
O equilíbrio de cabeça esta bem mais estabelecido, apesar de não ser capaz de mover mais do que 180º em busca de um estímulo, tanto auditivo quanto visual. O bebê inicia sua reação de proteção na postura sentado, utilizando extensão do tronco superior e médio e apoio de mãos na superfície tanto anterior como em lateral.
A postura em equilíbrio mesmo que assistida confere ao tronco maior expansão durante a inspiração e recrutamento de músculos abdominais para a expiração de forma a aumentar proporcionalmente a capacidade respiratória.
Esta variabilidade de mudanças posturais reflete em apoios e movimentos da mandíbula, língua, músculos e palato mole. Com esta expansão de experiência sensório motora, o equilíbrio cada vez mais refinado, se torna visível movimentos dissociados intra orais. O grande elemento que possibilita esta dissociação, além do motor global, é a ATM que, uma vez mais estável, permiti ao bebê abrir a boca e permanecer aberta  para recepcionar um alimento ou um utensílio, sem a projeção da língua em movimento ântero posterior.
Esta dissociação com estabilidade pode ser comprovada nas emissões sonoras línguo palatais, bilabiais, guturais e fricativas onde a língua livremente se apoia em distintas regiões da boca de forma isolada e mais dissociada para os pontos articulatórios.
Comumente nesta fase, podemos observar que o bebê tem um outro in put sensorial, agora em rebordo gengival. Mesmo que não se evidencie a erupção de peças dentárias, o bebê se comporta como se os tivessem. Este comportamento de morder objetos pode se estender a atividade de segurar alimentos e mordê-los.
A mandíbula pode executar mobilidades verticais e laterais em busca do estimulo,  mas ainda não é capaz de morder e mastigar com movimentos rotacionais. Nesta atividade, após a quebra o alimento em contato com a saliva, ele se transforma em pastoso e é facilmente deglutido.
A variabilidade motora global, respiratória e motora oral, permite ao bebê, a partir de 6 meses, emitir sons variados com pontos articulatórios distintos e combinações aleatórias, sem contudo formar uma palavra com significado. Porém, a relação com o meio inicia a significação destes sons, que futuramente serão utilizados,  voluntariamente, uma vez reconhecidos pelo sistema nervoso central. Eis aqui, o papel do meio ambiente estimulador.

Tópicos de Avaliação Fonoaudiológica:

Muitos sinais podem ser observados na entrada desta fase entre eles: movimentos amplos e dissociados no motor global e oral. A pratica de tomar objetos e levar a boca, maior presença de mordida do que de sucção, respiração de maior amplitude, postura e mobilidade de órgão fono articulatórios e emissões sonoras em distintos pontos articulatórios.

Quarta fase: (nono, décimo e décimo primeiros meses)

Ao redor de 9 meses o bebê pode apresenta as rações de proteção para trás. As posições de quatro ( engatinhar) e as passagens para ficar em pé são fundamentais para o desenvolvimento de maior equilíbrio bem como para variação de movimentos da língua dentro da boca, com maior intensidade na elevação contra o palato duro, e lateralização da mandíbula para a mordida e futura mastigação. A partir desta fase as atividades e funções se tornam cada vez mais complexas e variadas em dissociação o que confere maior mobilidade de tronco e de respiração e consequentemente variação em pontos articulatório, facilmente comprovados pela diversidade de sons e palavras.
A alimentação se torna variada quanto ao uso de utensílios como: colher, copo e variada quanto a consistência do alimentos: liquido, pastoso e sólidos. Para os sólidos a criança pode deslocá-lo de forma alternada dentro da boca,  tanto para a direita como para a esquerda, mesmo na ausência do primeiro molar ( 14ºmes).

As sequencias articulatória podem apresentar sons bilabiais, guturais línguo palatais, fricativas e sibilantes em associação com as vogais como por exemplo: au!, um papa, ama ma, mama papa, nenê, nana, tata, bobó, abó, caca, queé, nãnãnã etc. Movimentos dissociados de elementos intra orais para a produção de sons representativos: vibração de lábios, estalo de língua e estalo de lábios ( beijo).

Tópicos de Avaliação Fonoaudiológica

As observações nesta fase devem seguir  protocolos lúdico para que a postura, mobilidade e produção de sons possam ser os mais espontâneos possíveis.
Por meio de uma atividade de alimentação, observar a postura adotada, tônus postural, posição de cabeça e tronco, bem como os instrumentos utilizados na oferta do alimento.  A consistência alimentar  oferecida é importante tanto quanto o histórico evolutivo físico, orgânico e nutricional.

A partir desta fase de desenvolvimento os elementos vão se combinando em complexidade nos aspectos motor global, oral, respiratório, receptivo, emissivo e linguístico, porém o histórico pode nos possibilitar diagnosticar qual fase do desenvolvimento da função permaneceu estagnada e porque.

As fases especificadas neste trabalho didático nos servem para pontuar marcos importantes do desenvolvimento, porém estes marcos podem sofrer variações de um mês ao outro e podem significar normalidades.
O trabalho conjunto entre a odontologia e a fonoaudiologia também deve levar em conta estas variações, bem como estabelecer prioridades no atendimento terapêutico. Músculos e ossos crescem e se desenvolvem em conjunto e muitas vezes um músculo pouco ativo pode contribuir para uma alteração no crescimento ósseo ou uma alteração óssea  pode proporcionar uma inativação muscular.
De base nos conhecimentos afins, os profissionais podem eleger prioridades e sequencias de tratamento para um desempenho motor mais funcionais.
Lembrando que os limites entre as disciplinas se interceptam mas não se anulam em uma visão Transdisciplinar.

SÃO PAULO, 8 DE MARÇO DE 2015











quarta-feira, 21 de maio de 2014

O DESENVOLVIMENTO  FUNCIONAL DO  SISTEMA ESTOMATOGANÁTICO

                        Regina Donnamaria Morais – Fonoaudióloga

Todas as mudanças biológicas, anatômicas e funcionais que ocorrem no ser humano caminham de forma paralela e  integradas de maneira que  se torna difícil traçar um aspecto preponderante e responsável pelo desenvolvimento dos demais.  Assim, tanto o  desenvolvimento no aspecto biológico como o Anatômico e Funcional são interdependentes e  dependentes da integridade de um sistema nervoso central ( SNC),  sem o qual não é possível  um desenvolvimento funcional.
O desenvolvimento do sistema estomatoganático pode ser um representante desta afirmação onde a maturação do sistema nervoso central, as estruturas ósseas  e as funções são observadas em conjunto.
O primeiro ano de vida é de extrema importância para o aprendizado do bebê partindo de um modelo de movimento de sucção para a mordida e mastigação. 
A presença de peças dentárias ( dentes) e  a postura anti gravitacional,  trazem  uma estabilidade à Articulação temporo mandibular ( ATM), capacitando a criança a   lidar com distintos tipos de alimentos incluindo os sólidos.
 A permanência de alimentos  pastosos ou  em pedaço muito pequenos, não favorecem uma ampliação qualitativa dos movimentos verticais e  de rotação da mandíbula, limitando os arcos de movimento da lingua dentro do espaço oral, diminuindo o trabalho de  força muscular  responsáveis pela articulacão dos sons da fala.
Após o primeiro ano de vida, quanto mais a criança se desenvolve no aspecto motor  e  no equilíbrio postural, maior será a dissociação da língua dentro da boca e mais diversificados serão os  movimentos  mandíbulares, conferindo uma evolução do modelo infantil  de mastigação para o modelo  adulto de mastigação.
Este trabalho natural da musculatura funcional oral auxilia na manutenção do tonus muscular postural  para o equilíbrio do desenvolvimento da oclusão   e  da produção da fala.
Evolutivamente, cada vez mais  a criança se torna  hábil o suficiente, para lidar com qualquer tipo de alimento  sólidos bem como com os sons articulados da fala humana.


Regina Donnamaria Morais

quarta-feira, 20 de junho de 2012

BABY COURSE

BABY COURSE COM INSTRUTORAS AMERICANAS

Em junho deste ano, mais um curso com instrutoras internacionais aconteceu na América Latina, especificamente em Córdoba-Argentina,  para que alguns profissionais, desta área, pudessem encontrar  aperfeiçoamento  e outros, concluíssem  que nós, por estas regiões, podemos dizer que fomos e somos instruídos por profissionais Brasileiros de alto gabarito.
Nesta declaração reafirmo a satisfação de ter sido aluna da Instrutora Sonia Gusman, que me ensinou tudo que sei até hoje.
Sem desmerecer nossas profissionais convidadas - SUZANNE DAVIES BOMBRIA e MONICA WOJCIK, fisio e fono respectivamente, o curso foi complementar ao básico cursado em 1994.
Estas profissionais vieram de coração aberto e se emocionaram com a receptividade que sentiram da parte dos latinos.
Também se abriram o suficiente para receberem alunos que demonstraram alto conhecimento, o que aumentou o nível de seus conteúdos.
Assim, saímos todos com um grau de aproveitamento inigualável.
Devo admitir que estas profissionais foram também instruídas por nada mais do que Mary Quinton, uma excelente e inesquecível profissionais NTD.
No calor de nossas conversações tanto Suzanne como Monica colocaram seus reais problemas com relação a prematuridade e as atualizações científicas que muito favoreceram o intercâmbio entre EUA e AMÉRICA LATINA ( Brasil e Argentina).
Nossos momento de prática foram aprendizados intensos quanto a uma forma diferenciada de planejar e elaborar terapias com nossas crianças. A velocidade de atuação me impressionou, pois me fez pensar muito e reorganizar minha atuação.
A Profissional que se encontra deitada nesta foto, é a instrutora que observa de forma elegante e respeitosa as alterações de postura e movimento do bebê com total liberdade de ir em busca de seu interesse.
Vejam que maravilha de transferencia de peso e experiência de movimento.


Nesta foto observamos o desenvolvimento de dois irmãos que por serem igualzinhos, apresentam etapas  motoras ligeiramente diferente.




Nada melhor do que vários olhares a observar este espetáculo da natureza. E aqui vai nossa experiência!
OBRIGADO AO NOSSO PACIENTE THIAGO E SEUS PAIS QUE MUITO NOS AJUDARAM NA CONSTRUÇÃO DE MAIS CONHECIMENTO.

Regina





sábado, 12 de novembro de 2011

FESTA PARA INSTALAÇÃO DE UMA SALA DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL

FESTA NO TENIS CLUBE DE SANTOS

Mais uma festa para a Associação Ecovivência que vem nos auxiliar para implantação de melhorias no atendimento de nossos participantes.

Pessoas sensibilizadas com a nossa atuação, no trabalho
de habilitação de pessoas especiais,
se propuseram a elaborar uma festa reunindo Santistas, Paulistas e Paulistanos acreditando na implantação desta sala de Integração Sensorial para a melhoria de respostas adaptativas para os Autistas e Deficientes mentais.


Cada vez que adotamos respostas adequadas em lugares adequados e em tempo real, mais equilibrados nos mostramos à sociedade que tem tanta dificuldade de entender as diferenças no mundo.

Nossa proposta é oferecer dirigidos estímulos variados de distintas fontes ( visuais, auditivas, táteis, olfativa, gustativa, proprioceptiva e motoras) na tentativa de suprir a carência de experiência naturais que as pessoas com distúrbios passam na sua fase inicial de vida infantil.

Esta sala de Integração Sensorial, como seu nome a define, é uma confluência de estímulos que solicitam de seus participantes recepção, analise, interpretação, síntese, organização, elaboração de respostas, estratégia e ação.
Ou seja, funções COGNITIVAS!

Agradecemos a todos a colaboração e esperamos que venham conhecer nossas instalações e que possam acompanhar a evolução deste trabalho.
OBRIGADO


REGINA
e
EQUIPE




quinta-feira, 28 de julho de 2011

ESTUDO TRANSDISCIPLINAR EM UMA CRIANCA COM TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO DONNAMARIA, R.; SILVA, D.; ALVAREZ ,A.C.; LOPES, V.C.; MOURA - RIBEIR

O Transtorno Global do Desenvolvimento -TGD, vem sendo estudado pela área da saúde e educação devido ao grande impacto que causa no desenvolvimento infantil. b De acordo com CID 10- ( F.84), TGD é definido como: Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas, modalidades de comunicação e por um repertorio de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo .

De acordo com Duncan (1986) e Rapin ( 2006) , muitas das características deste transtorno , como por exemplo, inflexibilidade (expressa através de atividades ritualizadas e repetitivas, perseveração, e dificuldades no relacionamento interpessoal) podem ser explicadas por comprometimento no funcionamento do lobo frontal.

No TGD é possível identificar o envolvimento de diferentes áreas corticais e subcorticais onde se reconhece o comprometimento amplo da linguagem, envolvimento da sociabilidade e aprendizado.

Nas referidas atividades, tem sido identificado a importância das redes neurais que integram as várias regiões cerebrais envolvidas, em cuja, dinâmica execução funcional, se reconhece o papel relevante dos neurotransmissores ( dopamina, serotonina, norepinefrina etc).

Levando em conta os dados apresentados a atuação transdisciplinar vem sendo considerada um diferencial no desenvolvimento funcional de crianças com TGD e segundo Nicolescu (2001) na transdisciplinaridade, os limites entre as disciplinas são perturbados e cria-se uma idéia de movimento, de intercessão tanto na dicotomia sujeito/objeto como nas disciplinas e nas especialidades entre si.


O presente trabalho tem por objetivo descrever estudo longitudinal de atendimento transdisciplinar de uma criança do sexo feminino, iniciado aos dois anos e meio até 7 anos de idade, apresentando transtorno na relação interpessoal, linguagem, desequilíbrio emocional, atraso no desenvolvimento global e específico.

Estudo de caso: JFM, sexo feminino, gestação normal, parto a termo, cesariana sem complicações, desenvolvimento motor normal, sensorial denotando em suas experiências, necessidades táteis mais intensas, visão e audição normal. Aos dois anos de idade foi reconhecido pelos familiares dificuldades na fala, linguagem e socialização. Em rotinas da escola ( maternal) apresentava dificuldades de integração ( choro, resistência as rotinas, fuga de momentos de grupo, dificuldades em aceitar atividades dirigidas).O pediatra inicialmente encaminhou para avaliação fonoaudiológica, neurológica e psicológica. Com dois anos e sete meses iniciou trabalho junto a atual equipe transdisciplinar.


Estudo observacional complementado por exames laboratoriais, prescrição de fármacos e atuação transdisciplinar no decorrer de quatro anos e meio.

Equipe transdisciplinar constituída por, Fonoaudióloga, Psicopedagoga, Psicóloga, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Neurologista, Escola e Família. A atuação transdisciplinar iniciou com avaliação individual de cada disciplina e levantamento de cada aspecto a ser trabalhado.

Foram realizadas sucessivas (12) reuniões, para reavaliação e delineamento de atitudes e enfoques a serem desenvolvidos, obedecendo a intercessão entre as disciplinas e construindo linguagem única de atendimento.


A partir da avaliação de cada elemento componente da equipe transdisciplinar foi possível delinear Abordagem fonoaudiológica, terapêutica ocupacional, psicológica, psicopedagógica, escolar, fisioterápica envolvendo a avaliação clínica e neurológica. Foi constatado hipotonia muscular generalizada de grau moderado, modificações comportamentais envolvendo sociabilidade, baixa resistência a frustração e comprometimento da linguagem. Solicitado, do ponto de vista médico, exames laboratoriais em líquidos orgânicos, eletroencefalograma e imagem todos sem anormalidades.Indicado o uso de fármacos: B6 e Triptofâno, Depakene entre outros. No transcorrer de 4 anos e meio a equipe desenvolveu um trabalho organizado e integrado com reavaliação periódica dos ganhos com antevisão das etapas a subseqüentes. Realçamos nesta abordagem a participação e aceitação ativa dos familiares no referente às diretrizes.

Constatações:

Reorganização emocional, segurança, aumento da tolerância a frustração.
Aceitação em qualidade e quantidade no relacionamento interpessoal envolvendo aspectos afetivos.
A partir de aquisições em terapia, foi capaz de generalizar para situações e ambientes diversos.
No referente à linguagem demonstrou ganhos progressivos na elaboração e construção de frases contextualizadas.
Desenvolveu identidade e sequência numérica; raciocínio lógico matemático simples; reconhecimento de letras, sílabas e palavras; escrita; leitura e digitação; inicia o reconhecimento de elementos intralingüísticos.
Na equoterapia, desenvolve espontânea interação com o animal (não ritualística); demonstra habilidades e segurança ao trote.
Apresentou progressivo reconhecimento do esquema corporal, definição de lateralidade e uso funcional das diferentes habilidades em ABVDs.
De forma integrada com os ganhos acima relacionados houve progressiva resposta adaptativa ao ambiente escolar( regras e normas),independência, responsabilidade e entendimento das atividades em grupo.

Em decorrência do trabalho acima exposto a paciente adquiriu condição ativa e efetiva de participação em grupo, fato não vislumbrado no inicio da pesquisa.



Por meio do trabalho desenvolvido pela Equipe Transdisciplinar ,a paciente JFM obteve progressivos ganhos nos aspectos emocionais, comportamentais, de linguagem, de cognição , pedagógicos e sociais

no período de 4 anos e 6 meses, obedecendo ritmo ascendente se aproximando dos padrões desejáveis de normalidade do desenvolvimento.





CID-10 Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento.Porto Alegre, Artes Médicas,1993.

DUNCAN, J. Disorganization of behavior after frontal lobe damage Cognitive Neuropsycholog.1986

.NICOLESCU, B. O Manifesto da Transdisciplinaridade. Coleção Trans.2001.120p.

TCHUMAN,R;RAPIN,I .Autism: A Neurological Disorder of Early Brain Development, 2006.